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por longos dias me calei
e sufoquei a verdade dos versos
temendo quedar imerso
na escuridão que criei
mas enfim me despeço
das dores que suportei
pois hoje eu bem sei
que meu perdão eu mereço
ainda devo aprender a respeitar
os limites de quem sou
para não me machucar
mas juntando o que restou
sorrio e ergo o olhar
para o sol que por fim raiou
Além do que se vê
ao meio dia no lado escuro da vida
em angústia dou início à despedida
chorando só num banheiro sujo.
nefasto, enrolo e inspiro outra dose
enfim me afasto, em presságio de psicose
e no caos me arrasto, buscando refúgio
nestas noites felinas, encerro minha dor
com promíscuo riso, filho do terror
atendo aos vultos e vozes algozes de minha alma
e empunhando a liberdade, consumo o corte
indefeso, oferto-me à Morte
que la danse macabre, embriagante, performa
caído, escrevo enquanto a vida se esvai
confundindo tinta e o sangue que cai.
o que, delirante, rogo a quem lê
é que saibas que um sorriso mente
e no silêncio um poeta sente
muito além do que se vê.
“Grandma and grandpa, 1960s”
USSR
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